Produzido no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro - ISERJ. Nosso e-mail: cidadeeducativa@googlegroups.com

30 de março de 2012

Arq Futuro (Debate)

 O Arq.Futuro é um evento semestral que tem como objetivo discutir os diferentes papéis desempenhados pela arquitetura hoje, não apenas como expressão artística, mas também – e sobretudo – como elemento de transformação social.
A superarquiteta iraquiana Zaha Hadid participa do evento
Dicotomia /  A escultura faz parte do evento The Big Egg Hunt Co - evento filantrópico que espalhou ovos criativos pela cidade de Londres, convidando os cidadãos a encontrá-los.

27 de março de 2012

E a São Pedro da Aldeia, você já foi?

Rio de Janeiro 5 de dezembro de 2011
Querida Rosa Maria
Minha amiga, espero que esta carta, ao chegar em tuas mãos, encontre a todos com muita saúde. Rosa, sei que você gosta muito de sua terrinha, porém quero te convidar a conhecer o melhor lugar do mundo, e saiba que falo isto sem exagerar. Estou falando de São Pedro da Aldeia, na região dos Lagos. Ali tudo fica mais colorido, o sol é maravilhoso. As salinas dão uma sensação de que tudo pode ficar mais agradável, e a lagoa de São Pedro é a mais linda que eu já vi. O pôr do sol encanta, as pessoas têm um brilho no olhar que cativa, fazendo com que a gente não mais queira mais voltar para casa. Rosa, espero sinceramente receber sua visita, mas não se espante: você não vai querer voltar mais para sua terra. Espero você e toda família.
Um abraço de sua grande amiga, Heloisa Nascimento
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A Casa da Flor é obra de arquitetura e escultura de seu Gabriel dos Santos, nascido em 1893, filho de ex-escravo e trabalhador nas salinas de São Pedro d’Aldeia. Montada durante décadas, pelo acúmulo de restos, no dizer do autor “coisinhas de nada” – búzios, conchas e outros depósitos da lagoa, detritos industriais, pedaços de azulejos e faróis de automóveis – a construção, ainda nas palavras de Gabriel, é uma “casa feita de caco transformado em flor”. (www.inepac.rj.gov.br)

23 de março de 2012

Você vai para Sepetiba, amigo?

Rio de Janeiro, 05 de dezembro de 2011
Amigo Felipe
tenho algo muito sério para falar com você. Fiquei sabendo por uma amiga comum que você vai visitar uma tia num bairro do Rio de Janeiro chamado Sepetiba. Amigo, antes eu não gostava de Nilópolis, agora mudei. Conheci Sepetiba na zona oeste do Rio e fiquei horrorizada com o mau cheiro da lagoa. Quando me disseram que você iria morar neste bairro resolvi alertá-lo. Felipe, o saneamento básico deste bairro é ruim e os assaltos são constantes. Se quer saber, procure outro lugar para morar pois neste bairro você não vai ser feliz. Todos nós precisamos de paz, de um lugar agradável e não de lugares tortuosos. Querido amigo, aceite minha sugestão e meu conselho. Sepetiba é realmente horrível. Não vale a pena gastar seu rico dinheirinho e morar mal. Responda à minha carta e darei algumas sugestões melhores.
Um abraço de sua amiga Heloisa Nascimento
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 Fotos de Richard Pereira do blog Esqueceram Sepetiba

Enquanto isso...
 ... Petrobrás, CSN, Usiminas, Grupo EBX, Firjan, Vale do Rio Doce, ThyssenKrupp, Gerdau, CSA fazem a festa.

22 de março de 2012

Um mendigo enfurecido passava pela Rua Mariz e Barros

Bruno Alves
Fotos de Apollo Natali na coluna Desabafos de um Ancião
Um mendigo enfurecido passava pela Rua Mariz e Barros em frente ao Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro quando – ao contemplar o prédio antigo – acalmou-se, e sentiu uma vontade irresistível de entrar. Mas como poderia passar pelos seguranças sem ser notado? Sorte que, em sua bolsa, havia uma blusa e calças limpas que havia ganhado há poucas horas. Finalmente , encontrava utilidade para o presente. Dirigiu-se ao posto de gasolina mais próximo e pediu para utilizar o banheiro. Um dos frentistas, mesmo receoso, permitiu que ele entrasse. Lá conseguiu um sabonete velho, o que colaborou para amenizar o seu mau cheiro. Agradeceu ao frentista e voltou ao antigo prédio.
O horário, o mendigo não sabia ao certo, mas acreditava ser por volta das quatorze horas. Disfarçadamente conseguiu entrar no ISERJ sem ser visto e foi impulsionado até a biblioteca. Quando entrou ficou surpreso com a figura de uma mulher fixada na parede, e aproximou-se dela. Tinha a sensação de conhecê-la há muito tempo. Começou a balbuciar algumas palavras como num profundo transe: “Teu canto é perdido, pássaro da lua...”. Lembrou o nome do poema, "Pequena Canção", do livro Viagem Vaga Música de Cecília Meireles, a mesma mulher que o sondava profundamente e que estava presa na moldura envelhecida. Cecília era sua companhia de horas e horas de deleite em noites chuvosas. Naquele momento, resgatou a sua memória perdida.
O seu nome era Antônio Maciel de Medeiros, um homem erudito, apreciador da renomada poetisa. Cursou Letras na antiga Universidade do Brasil, atualmente UFRJ, e doutorou-se na mesma instituição em Poética. Ele era pai de João Gabriel e esposo da pediatra Marisa Montenegro que desafortunadamente haviam falecido num trágico acidente de carro no Flamengo, o que levou Antônio à loucura. Quanta angústia e sofrimento! Por um instante ele quis correr, gritar e voltar a ser aquele velho mendigo, imune ao sofrimento da perda. Mas Cecília convidou-o ao recomeço. Através do olhar da fotografia, ele pode ver um filme que contava a história do Instituto de Educação. Sentiu que Cecília queria fazer-lhe uma revelação.
Viu que na inauguração do Instituto estavam presentes Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina, surpreendeu-se ao saber que a escola começou funcionando no Colégio Pedro II e que somente em 1930 passou a funcionar no prédio atual. A cada cena uma surpresa diferente. Descobriu que Anísio Teixeira foi o primeiro diretor da instituição e que Heloísa Marinho, Evanildo Bechara, Sérgio Buarque de Holanda e inclusive ele – para o seu espanto – tinham sido professores da renomada escola.
Ainda em transe, Antônio foi abordado por um dos seguranças da instituição, mas conseguiu sair do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro ileso. Sabia que aquele encontro havia mudado a sua vida, mas o que fazer? Por onde começar? Seguiu rumo ao tempo, a fim de resgatar o que a vida havia lhe usurpado. Precisava recomeçar, por mais difícil que fosse. Encontrou uma pessoa que lhe estendeu a mão.
Hoje Antônio trabalha como voluntário em uma ONG, com alfabetização de Jovens e Adultos, além de ter conhecido Marisa, a mulher que vem tornando os seus dias mais felizes.

2 de março de 2012

Em luta pela terra sem mal

"Depois dos conflitos, restavam no chaco (regiões de Tarija, Chuquisaca e Santa Cruz) menos de 30 mil índios dos 200 mil que viveram ali. Muitos migraram em direção ao norte argentino e para o Paraguai. (...). Para muitos dos chiriguanos que continuaram nas comunidades originais, não houve outra escolha a não ser submeter-se ao trabalho escravo dentro das propriedades ocupadas, especialmente na criação de gado." O lançamento do livro é hoje, às 18h no Espaço Multifoco. Em luta pela terra sem mal http://www.emlutapelaterrasemmal.com/