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18 de setembro de 2014

o que é um bom espaço público - 12 critérios

Natalia Garcia, do projeto Cidade das pessoas, traduziu e adaptou os 12 critérios para determinar o que é um bom espaço público estabelecidos pelos autores urbanistas Jan Gehl, Lars Gemzøe, Sia Karnaes e Britt Sternhagen Sóndergaard no livro New City Life (só encontrei menção ao livro Cities for people). A concepção gráfica é dos designers Marina Chevrand e Calu Tegagni. 





Com base nestes critérios, é possível avaliar o lugar onde você vive. 
Outro ponto que ajuda a gente pensar a nossa cidade é a determinação de seus diferenciais. Confira abaixo: 

19 de junho de 2014

Visita ao Museu da Maré

Cristina Muniz
Trago aqui um pequeno comentário sobre uma tocante visita ao Museu da Maré. Na ocasião, pude conferir a exposição temporária "Som da Maré".
O blog de autoria de Pedro Rebelo descreve o projeto na íntegra. Para visitá-lo, clique AQUI.
Por um labirinto cenográfico, caminhamos ouvindo jovens moradores nos contarem a história deste lugar, hoje um complexo de favelas chamado Maré. Assim, o labirinto cria, no espaço, aquilo que, no tempo, é a lembrança.
Passeamos pelo incrível cenário, descortinamos o seu passado, ao mesmo tempo percebendo os signos premonitórios de um novo futuro.

Ver o trabalho dos guias locais é vislumbrar nas ruínas dessa história, como diria Walter Benjamin, outras leituras do que poderia ter sido e não foi. Para ele, a democracia requer memória histórica, aquela possível de ser revisitada e contestada. E foi isso que senti vendo ali aqueles jovens narrarem a história cultural de muita luta de sua comunidade.

Com sua exposição permanente “Os Tempos da Maré”, o Museu nos provoca uma experiência sensível e profunda. Doze tempos formam um grande calendário: Água, Migração, Casa, Trabalho, Feira, Festa, Fé, Cotidiano, Criança, Medo e Futuro.

Do TEMPO DE CRIANÇA, trago um fragmento que muito nos interessa para pensar a cultura urbana moderna que tira as crianças da rua, tida como lugar perigoso! Esta concepção presente em inúmeros projetos sociais da comunidade aparece assim problematizada no espaço das crianças:
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De muito fácil acesso, o Museu tem um site com todas as informações disponíveis para visitação e lindas imagens, inclusive uma exibição virtual de "Os 12 tempos da Maré". Dê um pulo lá. Basta clicar AQUI.

9 de junho de 2014

Ensinamentos de Janusz Korczak, o "velho doutor": amor à criança e horror à guerra


Tatiane Souza
 O RESPEITO AO DIREITO À INFÂNCIA 
Ainda nos dias de hoje, mesmo na ausência de guerras mundiais, negligenciamos os direitos das crianças viverem e conviverem com qualidade a História, a Educação, o Lazer, a Saúde...
Meu primeiro contato com os preceitos de Janusz Korczak foi no curso de extensão em Pedagogia Social, oferecido pelo Projeto PIPAS-UFF, em uma palestra da professora Monica Picanço, no dia 24 de abril de 2014. Suas ideias permanecem atuais e conhecê-las só nos reforça a certeza da necessidade de um maior cuidado e afeto para com essa fase primária. Assim como Rousseau e Pestalozzi, Korczak via o amor como primordial, desconfiando da exclusividade da razão no desenvolvimento humano.
Médico e pedagogo, seu verdadeiro nome era Henryk Goldszmit, mas adotou o pseudônimo de Janusz Korkzac. Pregava o respeito a todos, independente da idade. Para ele, as crianças não iriam se tornar pessoas no futuro, por já serem pessoas.  Assim como a centralidade do amor, a autogestão da criança fazia parte de sua proposta pedagógica, que também se valia do método de observação empregado na medicina. Humanista e espiritualista, defendia o desenvolvimento da autonomia da criança.
Nasceu em 22 de julho de 1878, em Varsóvia, Polônia. Além de médico pediatra e pedagogo, foi radialista e activista social. Judeu, foi assassinado em 05 de agosto de 1942, em Treblinka.
Em 1901, começou a dar aulas se aprofundando na teoria de Pestalozzi. Criou uma metodologia de ensino a partir de uma “caixa de surpresas”, da qual tirava objetos que contextualizava através de diversos conteúdos e aplicações. Em 1911, começou a buscar mais iuntensamente uma pedagogia que, além de ajudar, transformasse a vida das crianças.
            Em1912, inaugurou o orfanato “Lar das crianças”, depois conhecido como “República das Crianças”, cuja filosofia era de defesa de uma sociedade compreensiva e respeitosa para com as crianças. Essas, por fazerem parte do processo de transformação social, não poderiam ser consideradas como sujeitos passivos. Assim, para Korczak, olhar a criança é ver suas possibilidades, e não aceitar que elas sejam coibidas em seu ser ou fazer. 
Como uma das precursoras da escola democrática e pelo seu respeito às crianças, sua pedagogia serviu de base para a “Declaração dos Direitos das Crianças” e posteriormente para a “Convenção dos Direitos da Criança”.
Janusz Korczak não era um teórico frio e distante, mas um homem que optou radicalmente por suas crianças. Morreu numa câmara de gás, pois não aceitou um salvo-conduto de Hitler, que poupava a sua vida. Preferiu permanecer unido a 200 crianças do seu orfanato, que foram despejadas e depois condenadas à morte pelo ditador nazista.
Veja o filme "As 200 Crianças do Doutor Korczak” (1990), com direção de Andrzej Wajda. Nele, você verá o contraste entre os princípios de justiça dentro do orfanato e a prática da injustiça fora da instituição. 
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Nas práticas que orientam a proposta pedagógia de Janusz Korczak:
1.     A criança é um sujeito.
2.     A centralidade é no amor.
3.     Na autogestão pedagógica, o adulto apenas auxilia a criança na busca diária de crescimento, amadurecimento e autoconhecimento.
A organização, no “Lar das Crianças”, depois “República das Crianças”, conta com:
·      Parlamento
·      Tribunal de Arbitragem
·      Comissão Legislativa
·      Comitês
·      Caixas de Cartas (onde eram colocadas sugestões, dúvidas, reclamações, e o autor poderia ficar anônimo se quisesse)
·      Jornais
·      Mural
·      Plebiscito 
Os princípios norteadores de sua teoria são:
1.     Aprendizagem das disciplinas com base nas práticas democráticas (simulação de tribunais, por exemplo)
2.     Complementação trabalho intelectual e trabalho manual (todos exerciam os cuidados com a escola)
3.     Aprendizagem pela explicitação, consideração e resolução dos conflitos
4.     Admissão da punição como um valor educativo apenas quando promotora de conscientização
5.     Consideração da educação como um processo coletivo
A realização desses princípios geravam:
·      Autogestão das crianças
·      Educação pelo trabalho
·      Adoção consciente das normas estabelecidas para a vida em comum
·      Domínio de si conquistado gradualmente
·      Um sistema original de recompensas e punições (tendo em vista a sensibilidade para com o outro)
·      Numerosas formas de atividades educativas e recreativas, coerentes às necessidades das crianças, por diversas linguagens
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PERPETUAR X TRANSFORMAR
A SOCIEDADE 
A criança “acomodada” é o sonho da educação contemporânea. A escola produz sujeitos, com um imenso risco de tornar a criança um ser humano fraco e covarde. Em sua trajetória, Korczak traduziu a dor e a perplexidade em relação à perversidade humana, produzindo uma obra que mostra a importância da tolerância e respeito para com as crianças.
Janusz Korczak deixou muitos escritos, dentre os quais 24 livros e cerca de mil artigos publicados em revistas. As principais obras incluem “Como Amar uma Criança” e “O Direito da Criança ao Respeito” que 30 anos depois, viriam a inspirar a Declaração dos Direitos das Crianças, das Nações Unidas. 

Bibliografia sugerida:
Como amar uma criança. 4º ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
O Direito da Criança ao Respeito. São Paulo. Ed. Summus. 1986.
Quando eu voltar a ser criança. 4º ed. São Paulo: Summus,1985.
Sobre o autor:
MARANGON, Ana Carolina Rodrigues. Janusz Korczak, precursor dos direitos da criança: uma vida entre obras. São Paulo: UNESP, 2007.

5 de maio de 2014

O olhar de quem ainda se espanta

Márcia Fernandes
Como olhar e ver o mundo  à nossa volta?
Para a redescoberta de conceitos e valores, é preciso ver além do óbvio e do que é literalmente visível, é preciso mergulhar na realidade de novos "espantos".
É preciso também repensar o nosso condicionamento de sempre querer concluir, fechar as ideias. Com a ajuda da Filosofia, busquemos a  busca da construção  de novos olhares e conceitos.
Foto original em http://clandestinoinstitut.org/en/author/markus/
           O que é pensar filosoficamente? Qual a relação entre o espanto e o sentimento filosófico? Espantar-se é olhar com propriedade, olhar de olhos abertos, é ver sem pressa, sem formatação pré-estabelecida, é olhar com calma, descompromissadamente e com sentimento sobre as coisas.
            Mas quem, quando e como se olha assim?  O filósofo tem esse olhar com a essência infantil  da descoberta sobre as coisas, as pessoas, os acontecimentos. Ele cultiva esse olhar de perplexidade e admiração, de quem não se acostuma nunca com as mesmas imagens, com a mesmas pessoas e coisas.
             Nos acostumamos a enxergar ao nosso redor de acordo com o estabelecido,  o condicionado. Não exercitamos nossa curiosidade mas os novos tempos nos exigem que voltemos a olhar as coisas com o espanto de quem as vê pela primeira vez, e assim questioná-las, com esse olhar contemplador, que também se maravilha. Mas isso requer uma busca  inquieta e indisciplinar, um pensar e ver sem fronteiras.
                Segundo Stein, "o ser-possuído pelo olhar, o dever-ser-inteiramente-olhar para o que se apresenta, define a essência da admiração". Ou seja, a essência do ato de se admirar está em atentar com olhos não silenciosos, captadores de novas perspectivas e de visões do já visto.
               No filme "A janela da alma", de Wim Wenders, o neurologista Oliver Sacks afirma: "o ato de olhar não se limita ao visível, mas também ao invisível". É olhando além do visível, exercitando os olhos da alma, que construímos uma releitura do mundo. O exercício possível consiste em ver além do óbvio, questionar o visível, provocar o estranhamento.
Para ver o filme, acesse https://www.youtube.com/watch?v=56Lsyci_gwg.
        Também Saint-Exupéry e Ionesco nos incentivam a mergulhar nas infinitas possibilidades de ver, sentir e pensar para  assim ampliar nossas perspectivas, sentimentos e conceitos. Novas imagens nos levam a novas essências. "O essencial é invisível aos olhos", escreveu Saint-Exupéry. "Mergulha, sem limites, no espanto e na estupefação. Deste modo, podes ser sem limites, assim podes ser infinitamente.", defendeu Ionesco.
              Mergulhemos pois  no espanto para a (des)construção do ver. Não permitamos ser  abatidos pela crise que pode nos assolar de uma só vez, tornando-nos taciturnos e acomodados. Debrucemo-nos sobre a construção do olhar da filosofia, que pode nos manter longe do pesado fardo do conformismo e do ser acabado, pré-definido.
              É preciso estarmos atentos aos ladrões e  manipuladores da consciência crítica que nos roubam as possibilidades de ver e nos embriagam de um conformismo autista em relação a uma realidade dada. Não nos deixemos ser "metamorfoseados", tais como "Os rinocerantes" de Ionesco. (1) Filosofemos, busquemos thaumazein (2), não percamos a capacidade de nos admirar. Não nos deixemos ser sugados pela hipocrisia de um olhar  dogmático.
Ver Jessica Friedowitz
           A filosofia é a mola   da  sensação de desconforto  que nos faz  buscar novas repostas para aquilo que nos incomoda ou por aquilo que não mais nos incomoda. Filosofando, transgredimos, especulamos e desconfiamos sempre. Marilena Chauí, em seu livro Convite à filosofia, diz (3): 
se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil;
se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil;
se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil;
se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil;
se dar a cada  um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a felicidade e a liberdade para todos for útil,
então podemos dizer que a filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.
***
NOTAS
1- A peça "O Rinoceronte", escrita há mais de 40 anos por Ionesco, é ainda bastante atual. Ela conta a história de uma cidade pacata que se transforma após a passagem de um rinoceronte por suas ruas. À medida que a origem do paquiderme é discutida e em alguns casos rebatida, a sua presença, misteriosa e incontrolavelmente, se prolifera, até notarmos que são os próprios cidadãos da cidade que gradualmente se transformam em rinocerontes. Nas entrelinhas, o rinoceronte mostra o conformismo da sociedade. A metamorfose é uma analogia ao processo de mediocrização social pela nossa incapacidade de ir contra as regras impostas e massificadoras, atreladas a um poderio corrupto e ambicioso. Cf. http://www.notaindependente.com.br/materias.php?id=0085
2- Thaumazein é o verbo grego que de modo aproximativo tentamos traduzir como admirar-se, espantar-se. Trata-se de um estado que nos acomete quando nos defrontamos com algo estranho por ser thaumaston, extraordinário, admirável. No diálogo Teeteto, Platão refere-se à esta admiração como um pathos um estado interior que sentimos quando algo nos arrebata. Cf. http://www.fae.unicamp.br/vonzuben/filos.html
3- Convite à filosofia, SP: Ática, 2005, p.24.

14 de fevereiro de 2014

Aprendendo com os monstros1 - Javier Toret



O encontro "Outros monstros possíveis. Pobres, índios, imigrantes, loucos: Mestiçando a cidade...”,
organizado por Giuseppe Cocco (PPGCO/UFRJ e Universidade Nômade), Lia Calabre (FCRB),
Mauricio Siqueira (FCRB) e Emerson Mehry (UFRJ), acontece na Fundação Casa de Rui Barbosa.

No dia 14 de novembro de 2013, das 14 às 18h, foram convidados para o debate
 Poéticas das redes e das ruas
 Paula Kossatz (Mídia Ativista), Javier Toret (UOC- Barcelona, Espanha), Larissa Bery (Dona Baratinha), Rafaela Miranda Rocha (Coletivo Projetação), Rodrigo Modenesi (Morre Diabo) e Itála Isis (Movimento Cidade Invisíveis).

O que é e como se dá a participação política?
Quais os caminhos possíveis na realização da transformação social no atual contexto histórico, em que o interesse dos bancos e das grandes corporações se sobrepõem aos direitos dos cidadãos já declarados como universais?
Para enfrentar esses monstros, eis outros possíveis.
***
Javier Toret – o monstro na rede

Cheguei e Javier Toret já estava com o microfone na mão. Falava super rápido, e em espanhol. Optei por pescar na sua fala alguns termos e anotar todos os endereços na rede por ele mencionados.

Esta postagem  é o resultado de uma pequena pesquisa na rede, partindo das indicações feitas por Javier Toret, em sua apresentação sobre a atuação da assets.outliers (web design, visualização de dados e ensaios cidadãos, segundo o site) nas manifestações populares na Espanha a partir de 2011. 

O termo assets é muito utilizado em gestão de recursos financeiros (assets management) mas a palavra se refere a um universo mais amplo, no qual se incluem as noções de posse de bens ativos, como qualidades e vantagens que extrapolam a visão contábil do mundo, humanizando-a.

Quanto a outlier, aprendi que a expressão vem da estatística, e refere-se à observação de dados amostrais insignificantes porque muito dissonantes. Em geral, nas análises estatísticas, estas observações são descartadas, por destoarem demais da opinião média. Mas, questiona Javier Toret, se são essas as informações que, precisamente, fornecem  os mais valiosos insights e dados mais ricos, mais produtivos para a interpretação da amostra, por que descarta-las?
Bia Albernaz
Os assets.outliers.es trabalham com esses dados nas redes sociais, tornando-os visíveis. De um ponto de vista antropológico, analisam essa diversidade de informações em trânsito nas cidades, e as transformam em dados, nutrindo gráficos e pesquisas que as tradicionais empresas de marketing, voltadas para a pesquisa de opinião e para a montagem de perfis de consumidor, costumam desprezar.
Visor de emoções do dia 15 de maio de 2011. Elaborado por Oscar Marín Miró http://assets.outliers.es/15memociones/
Dessa maneira, traduzem as cidades reais em cidades virtuais, sempre com base no modelo bottom-up. Bottom-up?!
De acordo com a Sebrae, o desenvolvimento “bottom-up” é um modelo complementar (e não oposto) ao modelo “top-down” na geração de trabalho e renda nos municípios brasileiros. De fato, na internet chega-se a vários endereços onde se pode ler a respeito do tal modelo bottom-up, mas apenas em alguns casos a sua menção se dá tendo como pano de fundo um contexto político propriamente dito, tal como citado por Javier Toret. Ao que parece, o modelo está catalogado, nomeado e alastrado, seja como exercício de retórica, com tom propagandístico, seja como jargão ou gancho para facilitar a comunicação. Parece-me que o uso dado por Javier ao termo se encaixa na última hipótese, mas também como se a referência a esse modelo fosse uma bandeira ou um escudo, pelas possibilidades abertas por ele em relação à negociação e à construção de consenso em ações civis. 
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 Agora DRY
Outro termo do jargão de Javier Toret é DRY. Segundo a Wikipédia, trata-se de um acrônimo de Don't repeat yourself. (Em português seria  Não repita a si mesmo”.) Mas isso é no jargão do programador de informações em sistemas.

Pesquisando mais, descobri que DRY é também uma sigla criada no contexto político das manifestações civis na Espanha. Para ampliar a participação, foi criada a plataforma ¡Democracia Real YA! (DRY). Os dados a respeito são fartos e fáceis de encontrar na rede, já que a intenção era justamente essa: possibilitar que as ideias em circulação nas ruas se propagassem em um ambiente de fácil navegação e alta interatividade, para viabilizar uma participação mais ampla, horizontalizada e sem lideranças.
 O movimento na Espanha começou com a ocupação da praça principal em Madri – a Puerta del Sol – em 15 de maio de 2011 e se alastrou para 57 outras cidades. Sua motivação foi denunciar o modo como as grandes empresas e os bancos dominam as tomadas de decisão nas esferas políticas e econômicas, e exercitar a democracia participativa e sem hierarquias. Na plataforma DRY defende-se a democracia direta através de assembleias populares e a busca de consenso.

A inspiração para o DRY foram os avanços obtidos pela população da Islândia em sua crise financeira de 2009, pela Primavera Árabe, pelos protestos na Grécia em 2010 e 2011 e pelas revoluções na Tunísia no mesmo período. Contudo, em abril de 2012, alguns daqueles que iniciaram a plataforma DRY racharam, criando uma organização paralela cujo nome é o mesmo daquela da qual partiram!

Na bibliografia básica dos ativistas do DRY, encontra-se o pequeno tratado de Stéphane Hessel (Indignai-vos), escrito no final de uma trajetória que passou pela Resistência Francesa durante a 2a Guerra Mundial.
O conteúdo do livro pode ser visualizado AQUI.
Também na Espanha, como em protestos em várias partes do mundo, a violência por parte de policiais e de manifestantes se fez e se faz presente, constituindo-se como um fator de desagregação e de abandono de militantes mais pacíficos, temerosos ou cautelosos. Na plataforma DRY, encontra-se um Manifesto que busca transcender a linguagem política das instituições partidárias e sindicais, consideradas pouco confiáveis em nossos dias. A ênfase está na cobrança ao governo para que ele assuma sua responsabilidade diante dos cidadãos, garantindo a todos condições dignas de vida. O Manifesto também critica o consumismo e o hedonismo, que alimentam uma rede perniciosa de endividamento para o indivíduo e de desgaste energético do planeta. Alguns das organizações signatárias do Manifesto são: NoLesVotes; Plataforma de Afectados por la Hipoteca; Asociación Nacional de Desempleados; Juventud Sin Futuro; Attac España; Ecologistas en Acción; Estado del Malestar; Occupy Hispania - Iberia - Lusitania Indignados # Iberian R-Evolution & Unión União Unió Ibérica

A questão é:
indignados em geral não recebem bom tratamento dos governantes,
já que em geral esses são os alvos da indignação.
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Outra noção citada por Javier Toret foi Identidade Coletiva, conceito presente na Psicologia Social, sobretudo quando se trata de entender o que vem a ser a identidade social.  Na Antropologia, o termo também circula. Joseph Jordania, etnomusicólogo, defende que a identidade coletiva foi crucial para a sobrevivência humana diante das forças da seleção natural. De acordo com ele, a identidade coletiva permite a suspensão do medo e da dor dos indivíduos em situações de combate, das quais os humanos não têm a memória. Em situações-limite, a identidade coletiva exacerba-se. São os momentos em que as pessoas se dispõem a perder as suas vidas por um objetivo coletivo, como a sobrevivência de seus filhos ou do seu grupo.

No cotidiano, essa alteração de consciência demonstra-se pela capacidade humana de seguir o ritmo de grandes grupos, como acontece em corais (Jordania é um maestro de corais) ou no carnaval, por exemplo. Nesse estado de Identidade Coletiva, a sobrevivência do grupo se sobrepõe à sobrevivência individual. 

Consciência coletiva é um termo correlato que descreve o cenário em que uma pluralidade de pessoas formam parte de uma rede, como se essa tivesse uma mente própria, parecida com uma colmeia.
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Versão completa do Colóquio
 
No meio dos debates sobre taxa de crescimento do PIB, emergência de uma nova classe média, megaeventos e megaobras, multiplicam-se resistências que se manifestam monstruosamente...

 Como cheguei atrasada, não ouvi a primeira fala, de Paula Kossatz (Mídia Ativista).
Relato de Bia Albernaz